Há
uma parábola, dentre tantas que o Mestre Jesus nos conta, que nos convida a uma
reflexão profunda sobre os anseios do nosso coração. Em Lucas 12:16, Ele nos
apresenta a história de um homem que acumulou tamanhas riquezas que já não
tinha onde armazená-las. Esse homem decidiu, então, derrubar seus celeiros para
construir outros maiores, onde pudesse guardar tudo o que havia conquistado e,
por fim, desfrutar dos prazeres que seu esforço lhe proporcionara.
À
primeira vista, é evidente que o Senhor nos ensina, por meio desse texto
sagrado, que é inútil correr atrás da vida para ajuntar riquezas e não acumular
aquilo que é mais precioso: um tesouro em Deus. Surge, então, a pergunta: o
que significa ser rico para com Deus? Percebo que ser rico para com Deus é
cultivar em si o que é valioso para Ele: uma alma piedosa, um amor genuíno,
verdadeiro e sem hipocrisia, uma fé inabalável em Seu poder e em Sua Palavra…
Há tantos tesouros diante de Deus! Menciono apenas alguns, pois muitos se
encontram pobres justamente nessas áreas. Há quem viva confortável em suas
riquezas materiais, mas com as bolsas celestes vazias — e sem qualquer
preocupação em adquirir para si tais riquezas eternas.
Há
também, infelizmente, aqueles que construíram uma existência baseada em valores
pessoais e ideologias convenientes. Dizem consigo mesmos: “Que farei?
Aproveitarei a vida como se não houvesse amanhã; já sofri, já trabalhei, já me
dediquei. Agora só quero me divertir, festejar, brincar, estar com amigos.”
Esses estão tão cheios da liberdade da autossatisfação que não se preocupam em
assegurar para si um futuro perene nos campos abundantes das moradas celestes.
Eis o perigo das riquezas: elas nos dão a sensação ilusória de que tudo está
bem, de que não há mais trabalho a realizar nem batalhas a travar, e de que
toda preocupação pode ser abafada pelo luxo do prazer.
Por
isso, nos versículos seguintes (22–34), Jesus nos oferece um sermão claro e
direto sobre as inquietações que temos quanto ao que comer e vestir. Temos
tanto medo de não possuir recursos suficientes para sustentar nossas vaidades
que não percebemos onde está, de fato, o nosso coração. Não percebemos que não
estamos vivendo no Reino, pois nossos olhos permanecem presos à terra. Esse é
um problema sério e presente em todas as gerações: uma batalha constante entre
espírito e carne; entre amar as coisas deste mundo ou buscar as que são do
alto; entre querer ser independente para tomar nossas próprias decisões ou
declarar, com sinceridade: “Já não vivo eu, mas Cristo vive em mim.”
Os
homens estão absortos em seus próprios desejos — um buraco negro que consome
vidas e arrasta destinos para o abismo. Criam expectativas e se apoiam em suas
posses e em relacionamentos superficiais; mas, tão logo esses castelos de areia
começam a ruir, eles desmoronam junto com eles. Somente quando a luz reveladora
da graça e da verdadeira riqueza alcançar nossos corações e mentes, as sombras
dessas ilusões poderão ser dissipadas. Essa luz está no evangelho das
boas-novas de salvação em Cristo. E é nossa missão apresentar essas verdades —
e, acima de tudo, vivê-las.
Herick
L. A. Santos

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